quarta-feira, 24 de março de 2010

Didático e popular, filme "Chico Xavier" dá início à febre espírita no Brasil

O longa-metragem foi exibido na noite de ontem no suntuoso Theatro Municipal de Paulínia, município do interior de São Paulo dono de um orçamento polpudo e, por isso, parceiro de ao menos 20 projetos por ano na área cinematográfica. O evento serviu para os políticos locais colocarem seu discurso num local nobre, mas também como uma espécie de retribuição da equipe do filme à cidade, onde parte das cenas foi rodada. A população lotou os 1350 lugares e reagiu muito bem à projeção.

O diretor Daniel Filho, como o também bom ator que é, foi a grande estrela da apresentação antes da sessão começar, mas o depoimento de Nelson Xavier, intérprete de Chico na maturidade, dá pistas do porquê da imensa empatia do público com o personagem. Nelson citou o trecho bíblico “amai-vos uns aos outros” e disse: “Foi uma das bandeiras mais revolucionárias que alguém já levantou na história e Chico Xavier viveu isso à risca”. O viés mercadológico de um ensinamento tão puro fica claro no making-of do filme – em uma reunião para planejar o lançamento massivo da produção (com ao menos 300 cópias), o diretor afirma: “esse é o novo paz e amor”.

É improvável, portanto, que algo com apelo tão direto e popular não seja um estrondo nas bilheterias, independente de sua qualidade. E Daniel Filho, didático, tenta fazer tudo direitinho. Figura histórica do audiovisual brasileiro, com mais de 50 anos de experiência, não é um cineasta genial, longe disso, mas sabe entregar um produto comercial de qualidade – o sucesso indiscutível das duas partes de “Se Eu Fosse Você” está aí para provar. Dessa vez não foi diferente e, partindo da biografia assinada por Marcel Souto Maior e do roteiro de Marcos Bernstein (“Zuzu Angel”, “O Outro Lado da Rua”), dividiu a vida do médium em três partes.


Fonte: Último Segundo

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Dr Odair Carlos Geraldo